Green go (gringo)!

 

Lá vem eles, os homens branco, me oferecem lentes, espelhos e outras coisas. Mas eu nao quero espelho. Quem precisa de espelho são eles. Eles tem cara-de-pau e não se notam, não se vêm. Os nossos espelhos são os nossos rios, as nossas cachoeiras. E eu também não quero pente. Não quero me pentear. Tem algum problema nisso?

 

Lá vem eles, os homens branco, me oferecem teleférico, plano inclinado, e oooooutros planos….mas eu não quero teleférico. Ah! Mas eles sim! Eles querem teleférico! Eles querem subir a favela e não querem se cansar. Mas as nossas avós, mães, subiam com lata d´água na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria. Elas não tinham teleférico, não tinham kombi e nem carro. Muito menos teleférico, mas elas tinham a força de Canudos e da favela. 

 

Lá vem eles, os homens branco”

De Cosme Felipsen, o Faveladu, 24 anos, morador da favela Morro da Providência, Rio de Janeiro-Brasil.

Por Lina Magalhães.

A presente poesia foi elaborada pelo “favelado” (como Cosme gosta de ser referido), como resultado da intervenção urbana de construção de um teleférico no Morro da Providência, parte do projeto de revitalização da zona Portuária na cidade, projeto vinculado aos megaeventos Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Os moradores reclamam da imposição autoriária do projeto que não ouviu em nenhum momento os moradores da comunidade. Além do mais, o teleférico não está na lista das demandas mais básicas dos moradores e gerou além da demolição da única praça do morro, também a remoção de muitas famílias.

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